16 janeiro 2011

Eu fui entrelaçando os dedos e fazendo com que os ossos se juntassem da maneira mais apertada possível para que a tensão se movesse da pressão dos dentes uns sob os outros e fossem para as unhas e assim as marcas de sorrisos ficassem sobre a pele da mão. Senti um arrepio vindo dos pés até a minha cabeça. Inclinei a coluna para trás como se alguma coisa puxasse o meu tronco involuntariamente e minha barriga foi ficando gigante de tal forma que meu umbigo ficou extenso. Depois meu corpo foi se acalentando nos pensamentos dos momentos bons vividos entre o mês de março e agosto. A gosto de Deus essa tortura de fundiu na hora em que me levantei e clamei por paz interior e exterior. Pensei em pedir desculpas pelos pontapés existentes nas bundas de algumas amizades que hoje, por mais que o tempo tenha passado, se tornaram inimizades. Pedi desculpa ao mar por deixá-lo tão só e me despedi do sal gostoso que me lembrava tempos difíceis. Voltei para casa e me banhei de água doce. Ela me lembrou das coisas que tirei do coração. Tirei e quero colocar de volta metade, mas a outra metade quero que se agarre nos grãos de areia mais profundos do fundo do mar gigante. Me enxuguei e senti vontade de deixar a coluna ereta. Não falo nada, ouço o que é necessário e vejo o que for preciso para aprender a ficar cega. Como pode depois de tanto tempo eu respirar como se fosse a primeira vez e querer que tudo volte ao normal como a primeira vez, e querer que tudo volte, e querer que tudo me aceite de volta. Passaram dias. Eu voltei e bati na porta de quem mais achei que era verdadeiramente amigável. Encontrei não uma, mas duas pessoas. Não sabia se sentia calma ou turbulência, meus neurônios se fundiram num curto espaço de tempo e depois do 'Oi, como vai?' veio um 'Tenho que ir, tá na minha hora!'. Desejo de ficar, necessidade de partir. Percebi daí então que quando um não quer dois não brigam, mas quando dois querem tudo fica tão perfeito que só Deus consegue explicar. Tudo mudou, mas tá tão diferente. Se encaixou um dia, baguncei no outro e hoje quero adivinhar os passos para remontar o quebra-cabeças de uma vez, colar com uma cola bem certeira e fazer com que nunca diga nunca quando eu quiser chutar. Difícil entender quem lê e não tem amor pelo que perdeu.

15 janeiro 2011

Eu queria dizer pra você que de noite eu faço prosas e sonetos de pura e intima fidelidade. Queria que fossem de rosas vermelhas as pétalas grudadas nas páginas e páginas de minha agenda e que o perfume que borrou a tinta da caneta que escrevi o último verso fosse amadeirado. Queria que minha cabeça quando encostada no travesseiro tivesse todos os problemas para pensar, na seca, nas enchentes, na fome, na miséria, tudo que não me ligasse ao seu nome e que não fizesse relação com qualquer tipo de dor. Queria que nas festas você me visse dançar com outro e que nesse momento, quebrasse a cara dele e me puxasse pelo braço dizendo que sou sua. Queria que quando dissesse que sou sua, me beijasse e dançasse comigo o resto da noite. Queria que na beira do mar não visse só turistas e casais passando de um lado pro outro da praia. Queria sair pra catar conchas e me alegrar ao achar qualquer coisa em formato de coração que me fizesse te mostrar e que você dissesse: 'Que lindo, meu amor!'. Queria que no casamento de uma amiga você estivesse do meu lado e na hora do 'sim' você me pedisse em casamento. Queria que no banco da praça você me sequestrasse e me levasse para onde quisesse. Queria compartilhar momentos que só quem ama pode entender. Queria poder dar mais do que recebo. Amar mais do que me ama e fazer brilhar sorrisos sinceros. Eu olho para trás, para frente, e me vem a música na mente:


''Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho que não sabe bater asa
Passarinho voando longe parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente, pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia, parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce, mas as vezes não é doce não

Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah... e o mundo é perfeito! Hum...e o mundo é perfeito!
E o mundo é perfeito!''


O Teatro Mágico - SONHO.

Depois que cheguei na Bahia percebi o quanto eu cresci. Os conceitos mudaram em mim, mas nas pessoas que ficaram continuam os mesmos. Julgava o Mato Grosso por ser um estado sem criativos, mas me equivoquei. Hoje não me vejo ficando. Quero voar mais. Sentir mais. Querer mais. E que seja assim.

02 abril 2010

Mais um dia se vai...

Tinha até esquecido da existência disso aqui.

Grandes coisas aprendi nesse meio tempo que não escrevo. A primeira delas é que quando um não quer, dois não brigam. A segunda é que você nunca pode deixar de ser você mesmo. Não pode mudar de caráter, não pode ser influenciado. Cabeça limpa de todos e de tudo. A terceira delas é que na maioria das vezes, quando não sabemos muito o que fazer, é porque realmente não há nada a que fazer. Tentamos, quebramos a cara, e depois repetimos tudo de novo a menos que o erro tenha deixado marcas. Daí, quando você vai em cima da cicatriz antiga e faz uma outra ferida, ela fica funda. Nunca apaga. Depois... Só depois disso, nunca repetimos o mesmo erro que antes. Demorou pra que eu aprendesse isso, mas é a velha ideia: antes tarde do que nunca. Quarta coisa que aprendi e que serve como dica: nunca saia de perto de sua terra, de sua família, de seus amigos. Não deixe para trás uma vida inteira pra recomeçar em outro lugar. Aquela historinha de que recomeçar, não se apegar, não ficar fixo em uma coisa só pra mim são puras ilusões. Quem fez e se deu bem, parabéns. Eu não tô me dando. Aí vem aquela indecisão e a vontade de partir e recomeçar a velha vida que deixou pra trás. Num pense nisso. Pense em dar continuidade. Se eu continuar escrevendo vou ter que produzir uns 300 textos. Então a minha ideia e não conselho que fica hoje é que aconteça o que acontecer, mantenha a cabeça erguida e a espinha ereta. Eu conto os dias pra voltar pra minha terra.