16 junho 2009

Quem irá nos proteger?

Fechei as janelas, troquei a roupa de cama, arrumei as gavetas e sorri. Aliviada de sentir o cheirinho de jasmim tomar conta do quarto saí e fechei a porta. Não paro pra deitar na cama e olhar para o céu faz semanas. Descobri algo que muita gente procura e ninguém consegue enxergar dentro de si mesmo: A falicidade e o amor próprio. Descobri que ser feliz é ser você. E pra fazer alguém feliz precisamos ser felizes primeiro. Pra achar alguém bonito temos que nos achar no mínimo um Brad Pitt ou uma Anjelina Jolie. Como em todos os outros momentos de felicidade, só quem vive sabe que o amor é crueldade, ao mesmo tempo lealdade, e bem maior que dois corações! Venho aqui no dia de hoje só pra dizer que esse sorriso aí do lado tá demorando pra sair. Que minhas conquistas estão fazendo de mim uma criança gigantesca e que meus brinquedos mudaram. Todos os dias ao acordar lembro de todas as partes felizes do dia que se passou e tento esquecer o que não me cabe lembrar! Quanto à ele? Ah... 'Ele' não existe no meu vocabulário. O 'eu' chegou e não quer sair. Tomou as chaves de minha mão, arrumou a casa e deixou pintado de branco o meu coração. A paz não vem de fora e sim de dentro! =D

29 abril 2009

Uma noite mágica...

Eram três horas da manhã quando olhei o relógio do celular e me dei conta que há vários dias não venho conseguido dormir mais cedo que isso. O clima estava ameno, aquele mormaço de ‘pós chuva’ que me faz cobrir com uma manta quase nunca usada. No meu quarto as janelas que ficam abertas na maior parte do dia pareciam maiores e mais bonitas quando vistas de minha cama na noite negrume apreciadas apenas com a luz do luar. Diferente das outras noites eu não estava bem á vontade para dormir e meus olhos estavam acesos como se o chá preto com leite que tomei mais cedo fosse um despertador.

Minha mente começou á rodopiar pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Tentava fechar os olhos, mas minha cabeça agora me dava às ordens me forçando á pensar em coisas jamais imaginadas antes e para isso eu tinha que comprovar que não estava sonhando olhando pro céu que agora estava limpo e cheio de estrelas. Não sendo muito diferente dos outros dias, comecei á inventar possibilidades de vida, como uma viagem que se determina o destino, hora de partida e de chegada, e o que vamos encontrar lá depois.

Enquanto minhas idéias se entrelaçavam feito crochê o tempo passava deixando á cada hora um tipo de constelação diferente. Logo me veio a idéia de alguns meses atrás: o mundo gira. Pensei no quanto eu fui abrutalhada naquela época e em como meus sentimentos estavam tão presos que não conseguia me expressar de uma forma que quem estivesse ao meu lado me entendesse. Quando comecei á relacionar todos os defeitos pensei nas promessas que me fiz e que ainda não cumpri, nas palavras esperando o momento certo para serem ditas, e principalmente na coragem de dar o primeiro passo estando com o pé quebrado. Quem já viveu essa conjuntura entende meu pondo de vista.

Olhei pelas grades abóbora meio salmão da janela de novo e vi o Cruzeiro do Sul. Não sei porque, mas as estrelas em formato de cruz na mesma direção do terço feito de madeira que estava pendurado na grade me deu uma extrema força. Daí, lembrei também da fé que eu tinha e que tenho que readquirir de alguma forma. Restaurar meus sentimentos seria uma boa idéia. Meus pensamentos agora estavam de desfazendo como se as pontas do tecido que estava sendo entrelaçado estivessem se soltando por si só. Em cada ponto de agulha para fazê-lo tinha um pouco de problemas e á cada ponto desfeito tinha uma solução.

O admirável agora virou desprezível. Depois de todas as respostas encontradas para uma só pergunta senti meus pés mais quentes do que o restante do corpo. Finalmente consegui dormir e sonhei com àquela pessoa me dizendo baixinho: - ‘O fundamental não é o amor, mas a vontade de não querer ficar sozinho!’. Olhei para a janela e vi o céu azul bebê sem nuvens. Com um calor fora do comum tirei o cobertor de cima da metade de meu corpo e olhei para o forro. Amanheceu, é hora de voar...

16 abril 2009

Tão bem como ninguém...

Como uma dança? Mais que dois pra lá, dois pra cá... Eu fechei os olhos. É possível sonhar acordada quando o nosso sonho está tão perto! Uma mistura de Smirnoff Ice com meu perfume 212, o aroma inexplicável. Eu nunca perguntei que perfume ele usa, até porque, querendo ou não, o tempo que passamos juntos não deu pra perguntar sobre coisas tão abstratas quando o físico diz tudo. O que eu sei é que tudo combinada e era controverso ao mesmo tempo. Cada toque, cada passo e a música? Ah. A música também insistia em combinar. As danças e a poesia interligadas. Poderia citar Ana Carolina, Chico Buarque, Lenine, Kid Abelha ou outras bandas que muita gente acha que são as únicas que possuem letra. A primeira coisa que vi quando fui comprar licor de chocolate na barraca do Arraial foi ele. Com uma blusa preta nada despojada, calça jeans e sem querer olhei para os pés. Vi um tênis branco que me deixou á pensar: ‘Será que ele sabe dançar?’. Vi a sombra celha separada, diferente de dois anos atrás quando ele foi me ver no colegial me pedindo um beijo que me senti inocente o bastante para dar. Um ‘Oi’ saiu de minha boca, mas ficou tão reprimido que nem mesmo o vendedor que insistia em me dar o troco ouviu. Foi ali que terminamos de consumar o fato de que havia mais que um casal e milhares de pessoas ao redor com uma banda de forró. Havia sentimentos...
¨¨
‘As ruas desse lugar conhecem bem as noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava. As casas desse lugar se lembrarão
Do nosso abraço, da sombra insólita, espelho azul no chão
As ruas desse lugar, agora eu sei, sempre escutaram a nossa música
Quando eu te respirava. As pedras municipais se impregnaram
Da dupla imagem, da dupla solidão, a sombra ali no chão
E lá no céu constelações num arranjo inusitado
O seu nome desenhado, pelo menos tinha essa ilusão
Se buscavam como a gente, pelo menos tinha essa ilusão
São milhares de estrelas singulares, letras vivas no céu.’
...
E ninguém viu. Somente eu e ele. Depois de meia hora tirei a prova: Ele sabe dançar. Tudo se encaixou. Minhas pernas na dele, a música, meu licor de chocolate com o licor de maracujá dele. Minha blusinha branca, calça jeans preta e sandália salto fino ficaram tão simples quanto as palavras que ele me dizia. Nada mudou durante os dois anos passados. Quem antes puxava os pêlos de meu braço no portão do colégio exigindo um beijo pra não dar viagem perdida, agora puxava minha calça folgada nas pernas e olhava em meus olhos me pedindo um pedaço do mundo pra que ele pudesse viver. Eu me senti como se estivesse descobrindo um novo ser. O meu ser dentro dele. Meus olhos brilhavam e no dois pra lá, dois pra cá minhas pernas bambearam. Será que só eu sentia isso? A primeira música que dançamos...
***
‘Você entrou na minha vida de repente
E me pegou de corpo aberto sem querer
Amar de novo pra não sentir novamente
O gosto amargo da saudade e do sofrer
Ai você se aproveitou dessa fraqueza
Fez o seu jogo de amor e sedução
Entrou no jogo e pra ganhar, virou a mesa
E como premio conquistou meu coração
O que sera que fez você chegar assim tão de mansinho
Fazendo tudo pra ganhar o meu carinho
Fazendo tudo pra ganhar o meu amor
E encontrou a porta aberta sem ferrolho e sem tramela
E no meu peito a cicatriz com o nome dela
Ai você apostou tudo e me ganhou’
***
O tempo acabou, como na maioria das vezes que nos encontramos. Foi bom cronometrar pra que cada minuto fosse importante. O primeiro dia se passou e os outros não foram diferentes. Passamos sete meses assim. Vivendo como se cada segundo fosse o último até ele se cansar de amar. ‘Você me ama demais. Me maltrate mais. Me deixe mais.’. E o meu mundo caiu, mesmo meu nome sendo Danielle e não Maysa. ( Risos ). Tempestades, palavras sem pensar e eu dei motivos. Hoje, depois de nove meses, tirei lições que jamais teria aprendido se ele não estivesse passado nas estradas de meu coração. Aprendi á ser eu. Viver e deixar coisas inúteis de lado. A vida passa tão depressa. Não vou dizer que esqueci e que vivo nas maravilhas porque me contradizer é a última coisa que quero. Ouço músicas depressivas, choro de vez em quando e pergunto pra Deus se ele tem uma resposta pra tudo o que aconteceu.
***
Vou bater porta pra quem abusou de mim
Esse meu rosto triste não nasceu assim
Era bonito que nem flor de croata
E então zangado era danado pra cheirar
Tinha alegria que jorrava noite e dia
Mas se excedeu pra um tal malvado de um amor
Que não deu gosto, só deu desgosto e tudo em fim
Foi até bom que me ensinou a ser ruim.’