16 abril 2009

Tão bem como ninguém...

Como uma dança? Mais que dois pra lá, dois pra cá... Eu fechei os olhos. É possível sonhar acordada quando o nosso sonho está tão perto! Uma mistura de Smirnoff Ice com meu perfume 212, o aroma inexplicável. Eu nunca perguntei que perfume ele usa, até porque, querendo ou não, o tempo que passamos juntos não deu pra perguntar sobre coisas tão abstratas quando o físico diz tudo. O que eu sei é que tudo combinada e era controverso ao mesmo tempo. Cada toque, cada passo e a música? Ah. A música também insistia em combinar. As danças e a poesia interligadas. Poderia citar Ana Carolina, Chico Buarque, Lenine, Kid Abelha ou outras bandas que muita gente acha que são as únicas que possuem letra. A primeira coisa que vi quando fui comprar licor de chocolate na barraca do Arraial foi ele. Com uma blusa preta nada despojada, calça jeans e sem querer olhei para os pés. Vi um tênis branco que me deixou á pensar: ‘Será que ele sabe dançar?’. Vi a sombra celha separada, diferente de dois anos atrás quando ele foi me ver no colegial me pedindo um beijo que me senti inocente o bastante para dar. Um ‘Oi’ saiu de minha boca, mas ficou tão reprimido que nem mesmo o vendedor que insistia em me dar o troco ouviu. Foi ali que terminamos de consumar o fato de que havia mais que um casal e milhares de pessoas ao redor com uma banda de forró. Havia sentimentos...
¨¨
‘As ruas desse lugar conhecem bem as noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava. As casas desse lugar se lembrarão
Do nosso abraço, da sombra insólita, espelho azul no chão
As ruas desse lugar, agora eu sei, sempre escutaram a nossa música
Quando eu te respirava. As pedras municipais se impregnaram
Da dupla imagem, da dupla solidão, a sombra ali no chão
E lá no céu constelações num arranjo inusitado
O seu nome desenhado, pelo menos tinha essa ilusão
Se buscavam como a gente, pelo menos tinha essa ilusão
São milhares de estrelas singulares, letras vivas no céu.’
...
E ninguém viu. Somente eu e ele. Depois de meia hora tirei a prova: Ele sabe dançar. Tudo se encaixou. Minhas pernas na dele, a música, meu licor de chocolate com o licor de maracujá dele. Minha blusinha branca, calça jeans preta e sandália salto fino ficaram tão simples quanto as palavras que ele me dizia. Nada mudou durante os dois anos passados. Quem antes puxava os pêlos de meu braço no portão do colégio exigindo um beijo pra não dar viagem perdida, agora puxava minha calça folgada nas pernas e olhava em meus olhos me pedindo um pedaço do mundo pra que ele pudesse viver. Eu me senti como se estivesse descobrindo um novo ser. O meu ser dentro dele. Meus olhos brilhavam e no dois pra lá, dois pra cá minhas pernas bambearam. Será que só eu sentia isso? A primeira música que dançamos...
***
‘Você entrou na minha vida de repente
E me pegou de corpo aberto sem querer
Amar de novo pra não sentir novamente
O gosto amargo da saudade e do sofrer
Ai você se aproveitou dessa fraqueza
Fez o seu jogo de amor e sedução
Entrou no jogo e pra ganhar, virou a mesa
E como premio conquistou meu coração
O que sera que fez você chegar assim tão de mansinho
Fazendo tudo pra ganhar o meu carinho
Fazendo tudo pra ganhar o meu amor
E encontrou a porta aberta sem ferrolho e sem tramela
E no meu peito a cicatriz com o nome dela
Ai você apostou tudo e me ganhou’
***
O tempo acabou, como na maioria das vezes que nos encontramos. Foi bom cronometrar pra que cada minuto fosse importante. O primeiro dia se passou e os outros não foram diferentes. Passamos sete meses assim. Vivendo como se cada segundo fosse o último até ele se cansar de amar. ‘Você me ama demais. Me maltrate mais. Me deixe mais.’. E o meu mundo caiu, mesmo meu nome sendo Danielle e não Maysa. ( Risos ). Tempestades, palavras sem pensar e eu dei motivos. Hoje, depois de nove meses, tirei lições que jamais teria aprendido se ele não estivesse passado nas estradas de meu coração. Aprendi á ser eu. Viver e deixar coisas inúteis de lado. A vida passa tão depressa. Não vou dizer que esqueci e que vivo nas maravilhas porque me contradizer é a última coisa que quero. Ouço músicas depressivas, choro de vez em quando e pergunto pra Deus se ele tem uma resposta pra tudo o que aconteceu.
***
Vou bater porta pra quem abusou de mim
Esse meu rosto triste não nasceu assim
Era bonito que nem flor de croata
E então zangado era danado pra cheirar
Tinha alegria que jorrava noite e dia
Mas se excedeu pra um tal malvado de um amor
Que não deu gosto, só deu desgosto e tudo em fim
Foi até bom que me ensinou a ser ruim.’

09 dezembro 2008

Sobre a coragem...

Há vários significados para a palavra coragem, mas aqui ela define-se como firmeza de ânimo ante os sofrimentos. E a gente sofre! Sofre por amor, pela ausência, pela morte, por uma doença, uma decepção. E diante desses sofrimentos vamos aprendendo a sermos fortes e corajosos.
Ser corajoso não é necessariamente sair batendo em ‘todo mundo’. Pelo contrário. É agüentar – figuramente – as porradas que a vida nos dá de cabeça erguida. Não é fácil, eu sei. Existem momentos que pensamos em desistir e deixar a fraqueza e as lágrimas tomarem conta. Mas só por uns minutos, não é mesmo?! (
Mesmo que não, que seja assim).

Ter coragem é dizer o que você pensa, é fazer aquilo que acredita ser capaz – e que muitas vezes os outros duvidam -, é arriscar, decidir, ousar, desafiar! Pra ser sincero todos nós temos os nossos medos, mas aqueles que sabem controlá-los são os que tem coragem de enfrentá-los. E se você é confiante ninguém pode arrancá-la de ti.
Certa vez eu li que coragem vem da mesma COR que forma coração. A COR da coragem. A COR do coração. Assim é, porque os romanos consideravam que a coragem tem mais a ver com o coração do que com a razão. Sendo assim, que tenhamos sempre essa cor dentro da gente!
Se depois de ler tudo isso você ainda não se considera corajoso, saiba que coragem não é saber enfrentar o seu próximo, mas a si mesmo. Difícil?


“As ações e os sentimentos do corajoso refletem o que vale a pena e o que a razão prescreve."
(Aristóteles)


• Texto de Lorena Morais.

28 novembro 2008

O FIM É LINDO

Um casal diante do fim terá a grande noite de sua vida por não prever uma próxima.Sairá do esconderijo porque não se vê mais seguro. Mostrará do que é capaz. Queimará o que guardou, não fará mais nenhum jogo, esquecerá a sedução e os conselhos dos amigos. Mais intensidade do que intenção.É o escândalo da verdade. Tímidos se transformam em terroristas, calmos ficam enervados, pacientes se portam como histéricos. Por um instante, não há medo de fazeras propostas mais desvairadas, confessar palavras reprimidas, estender os olhos como um lençol limpo.O fim é lindo. Do crepúsculo, de uma vela, de uma chuva. O fim é esperançoso, exigente. Pancadas de beleza.O som e o sol pulam como um suicida ao avesso para dentro da vida.

"Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço.
Como povoá-lo após tua partida?"
Fabrício Carpinejar
(Sétima elegia, Terceira Sede)