17 janeiro 2011

'Já chegou contando as horas, bebeu água e foi-se embora e nem se despediu de mim...'

16 janeiro 2011

Hoje ela sorriu e eu sorri. Como em todas as vezes que nos encontramos seja lá qual for o lugar. Eu sinto como se fosse a última vez, mesmo não sendo. Queria que comigo ela fosse embora. Deixei dois pontos um em cima do outro quando fui da primeira vez. Deixo uma vírgula quando for de novo, se eu conseguir ir e deixá-la aqui pra me colocar em um lugar que quando as pessoas se encontram não sorriem. Vou deixar um mar de alegria por um laguinho precário de sentimentos mesquinhos. Eu não sei se sinto desprezo ou pena de mim mesma por julgar o laguinho tão ruim. Queria que as cores e o céu e o mar e a vida fossem feitos para passar a mensagem de paz e amor sempre. Queria que ela continuasse comigo não por muito tempo no abstrato. Queria mais concreta ao meu lado. Queria pegar no seu braço e puxar e desencadear um abraço. A unica coisa que hoje me faz pensar em ficar. Mais que uma amiga, ela é uma irmã. Irmã que Papai do Céu trocou na maternidade, trocou de papai e de mamãe, mas deixou o coração. Choro.
Eu fui entrelaçando os dedos e fazendo com que os ossos se juntassem da maneira mais apertada possível para que a tensão se movesse da pressão dos dentes uns sob os outros e fossem para as unhas e assim as marcas de sorrisos ficassem sobre a pele da mão. Senti um arrepio vindo dos pés até a minha cabeça. Inclinei a coluna para trás como se alguma coisa puxasse o meu tronco involuntariamente e minha barriga foi ficando gigante de tal forma que meu umbigo ficou extenso. Depois meu corpo foi se acalentando nos pensamentos dos momentos bons vividos entre o mês de março e agosto. A gosto de Deus essa tortura de fundiu na hora em que me levantei e clamei por paz interior e exterior. Pensei em pedir desculpas pelos pontapés existentes nas bundas de algumas amizades que hoje, por mais que o tempo tenha passado, se tornaram inimizades. Pedi desculpa ao mar por deixá-lo tão só e me despedi do sal gostoso que me lembrava tempos difíceis. Voltei para casa e me banhei de água doce. Ela me lembrou das coisas que tirei do coração. Tirei e quero colocar de volta metade, mas a outra metade quero que se agarre nos grãos de areia mais profundos do fundo do mar gigante. Me enxuguei e senti vontade de deixar a coluna ereta. Não falo nada, ouço o que é necessário e vejo o que for preciso para aprender a ficar cega. Como pode depois de tanto tempo eu respirar como se fosse a primeira vez e querer que tudo volte ao normal como a primeira vez, e querer que tudo volte, e querer que tudo me aceite de volta. Passaram dias. Eu voltei e bati na porta de quem mais achei que era verdadeiramente amigável. Encontrei não uma, mas duas pessoas. Não sabia se sentia calma ou turbulência, meus neurônios se fundiram num curto espaço de tempo e depois do 'Oi, como vai?' veio um 'Tenho que ir, tá na minha hora!'. Desejo de ficar, necessidade de partir. Percebi daí então que quando um não quer dois não brigam, mas quando dois querem tudo fica tão perfeito que só Deus consegue explicar. Tudo mudou, mas tá tão diferente. Se encaixou um dia, baguncei no outro e hoje quero adivinhar os passos para remontar o quebra-cabeças de uma vez, colar com uma cola bem certeira e fazer com que nunca diga nunca quando eu quiser chutar. Difícil entender quem lê e não tem amor pelo que perdeu.

15 janeiro 2011

Eu queria dizer pra você que de noite eu faço prosas e sonetos de pura e intima fidelidade. Queria que fossem de rosas vermelhas as pétalas grudadas nas páginas e páginas de minha agenda e que o perfume que borrou a tinta da caneta que escrevi o último verso fosse amadeirado. Queria que minha cabeça quando encostada no travesseiro tivesse todos os problemas para pensar, na seca, nas enchentes, na fome, na miséria, tudo que não me ligasse ao seu nome e que não fizesse relação com qualquer tipo de dor. Queria que nas festas você me visse dançar com outro e que nesse momento, quebrasse a cara dele e me puxasse pelo braço dizendo que sou sua. Queria que quando dissesse que sou sua, me beijasse e dançasse comigo o resto da noite. Queria que na beira do mar não visse só turistas e casais passando de um lado pro outro da praia. Queria sair pra catar conchas e me alegrar ao achar qualquer coisa em formato de coração que me fizesse te mostrar e que você dissesse: 'Que lindo, meu amor!'. Queria que no casamento de uma amiga você estivesse do meu lado e na hora do 'sim' você me pedisse em casamento. Queria que no banco da praça você me sequestrasse e me levasse para onde quisesse. Queria compartilhar momentos que só quem ama pode entender. Queria poder dar mais do que recebo. Amar mais do que me ama e fazer brilhar sorrisos sinceros. Eu olho para trás, para frente, e me vem a música na mente:


''Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho que não sabe bater asa
Passarinho voando longe parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente, pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia, parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce, mas as vezes não é doce não

Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah... e o mundo é perfeito! Hum...e o mundo é perfeito!
E o mundo é perfeito!''


O Teatro Mágico - SONHO.

Depois que cheguei na Bahia percebi o quanto eu cresci. Os conceitos mudaram em mim, mas nas pessoas que ficaram continuam os mesmos. Julgava o Mato Grosso por ser um estado sem criativos, mas me equivoquei. Hoje não me vejo ficando. Quero voar mais. Sentir mais. Querer mais. E que seja assim.

02 abril 2010

Mais um dia se vai...

Tinha até esquecido da existência disso aqui.

Grandes coisas aprendi nesse meio tempo que não escrevo. A primeira delas é que quando um não quer, dois não brigam. A segunda é que você nunca pode deixar de ser você mesmo. Não pode mudar de caráter, não pode ser influenciado. Cabeça limpa de todos e de tudo. A terceira delas é que na maioria das vezes, quando não sabemos muito o que fazer, é porque realmente não há nada a que fazer. Tentamos, quebramos a cara, e depois repetimos tudo de novo a menos que o erro tenha deixado marcas. Daí, quando você vai em cima da cicatriz antiga e faz uma outra ferida, ela fica funda. Nunca apaga. Depois... Só depois disso, nunca repetimos o mesmo erro que antes. Demorou pra que eu aprendesse isso, mas é a velha ideia: antes tarde do que nunca. Quarta coisa que aprendi e que serve como dica: nunca saia de perto de sua terra, de sua família, de seus amigos. Não deixe para trás uma vida inteira pra recomeçar em outro lugar. Aquela historinha de que recomeçar, não se apegar, não ficar fixo em uma coisa só pra mim são puras ilusões. Quem fez e se deu bem, parabéns. Eu não tô me dando. Aí vem aquela indecisão e a vontade de partir e recomeçar a velha vida que deixou pra trás. Num pense nisso. Pense em dar continuidade. Se eu continuar escrevendo vou ter que produzir uns 300 textos. Então a minha ideia e não conselho que fica hoje é que aconteça o que acontecer, mantenha a cabeça erguida e a espinha ereta. Eu conto os dias pra voltar pra minha terra.

22 janeiro 2010

Pouco tempo parece muito.

Estive bem perto de querer fugir. Depois pensei que seja lá pra onde quer que eu fosse, iria sozinha. Permaneceria sozinha sempre se não fosse por um certo homem que encontrei na cidade que esperava que fosse o fim do mundo mais que virou um paraíso com o próprio. Queria ficar, mesmo sabendo que nada nunca iria mudar. Nunca é uma palavra muito forte. Todos dizem 'nunca diga nunca'. Orientação nunca foi meu forte. Quer dizer... Eu nunca tive um 'forte'. Nem forte, nem farol, nem luz, nem nada. Nada é outra palavra muito forte. Outrora eu deixei de acreditar que fosse ser alguma coisa em algum lugar. Que iria fazer falta para aqueles que deixei na minha antiga cidade acreditando na pessoa 'boa' que sou. Quanto as outras, que saí de lá sem um abraço, sem um 'tchau, volte logo, tô com saudades', eu nem comento. Por algum motivo muito incrédulo elas deixaram de sentir saudade. De mim claro. E na mente delas eu sou totalmente errada e impossível de lidar. Que pena. Eu queria não ter dois lugares para onde ir neste momento. Ou meu namorado, ou minha tia. Tem outras opções também como virar mendiga, ou então me inscrever no quadro 'De volta pra minha terra' no Gugú. Fazer uma viagem longa, virar uma sofredora nata do nordeste baiano para que depois de alguns anos e muito suor eu consiga crescer e conte minha história de vida na última parte da novela 'Viver a vida'. É. Ao mesmo tempo que é triste sair daqui e abandonar aqueles que eu acredito que um dia me amaram irresistivelmente, na saúde e na doença, acho que se eu ficar doente e saudável nada vai mudar da mesma forma se continuar dentro dessa casa, mas como o destino nos prega peças irrevogáveis e eu acabei passando numa federal nessa 'abençoada' cidade, penso em ficar. Permanecer aqui daria no mesmo que me acorrentar. Eu mesma pegando correntes e passando sob meus pulsos e minhas canelas fazendo com que fiquei presa sempre aqui. Eu nunca soube o que o destino quer de mim. Destino pra mim se traduz em: Vontade do Criador em fazer você aprender sobre cada vírgula que você desenha. Com certeza eu vou aprender muito por aqui, mas sei que o meu melhor lugar é dentro de mim mesma em qualquer outro lugar que não seja Campo Novo do Parecis.

03 dezembro 2009

Com o tempo você aprende que seus pais não são as pessoas mais importantes de sua vida, e que ás vezes, uma semana vale mais que uma vida inteira, como eu aprendi. Com o tempo você aprende que seu cachorro não é só seu cachorro. Ele ( o cachorro ), é muito mais inteligente que nós mesmos quando sabem perdoar e vim correndo atrás da gente quando levam um chute de cinco metros de distância. Com o tempo você aprende que quem tem milhares de amigos não é amigo de ninguém. Olhe lá se de trezentos, cinco se salvam. Com o tempo você aprende que seus irmãos não são seus irmãos, e que aqueles cinco amigos que foram salvos valem mais do que eles. Com o tempo você aprende que a vida não é curta coisa nenhuma. Ela apenas é vivida intensamente ou não. Quem perdeu alguém muito querido entende. Eu compreendi quando perdi meu tio, sendo que qualquer lembrança dele me faz chorar me fazendo querer que ele volte do céu e reencarne em algum de meus filhos quando os tiver. Com o tempo você aprende que diploma num dá dinheiro á ninguém e que sua vontade de conquistar que faz os zeros de seu salário aumentar. Muitos analfabetos hoje são donos das maiores empresas mundiais. Lula é presidente, gente! Falando em presidentes, com o tempo você aprende que o racismo é uma forma das pessoas se esquivarem de si mesmas. Todo mundo, seja lá quem for e de que raça for tem alguma coisa a te acrescentar. Estou errada? Com o tempo você aprende que seus erros são erros mesmo, que seus pecados são seus pecados e por mais que você peça á Deus que o perdoe, tenho certeza que Ele vai lembrar pro grande 'juízo final'. Falando em esquecer ou apagar, com o tempo você aprende que as pessoas que te magoam vão ser sempre as pessoas que te magoaram. Quem te faz feliz você sempre lembra. Quem te magoa você rejeita e essa é a lei da vida. Quem só odeia lembra pra poder odiar. Quem rejeita esquece e acabou o assunto. Com o tempo você aprende que nem sempre o que você fala faz sentido aos ouvidos alheios e aos não alheios também. Com o tempo você aprende que o mundo está acabando e também com esse mesmo tempo você vai aprendendo que Jesus voltará. E não vai ser 'antes tarde do que nunca'.

11 outubro 2009

(...)

'Irmão, vivem me perguntando
Quem é minha gente, o que ela sente
Como é meu nome todo ...
Irmão, me falta disposição
Pra dar tanta explicação
Pra quem não entende nada
Pra quem não entende nada
Por isso eu canto, falando do meu pranto
Chorando minha mágoa
Que embora ninguém creia
É clara como água
Que embora ninguém creia, é clara ...
Quem me acha assim tão diferente
Quem pergunta sempre o que o meu peito sente
É porque não lê e não vê meu coração
Pra essa gente meu irmão
Eu respondo com um palavrão ...
Minha gente é gente aberta
Gente unida, gente certa
Somos reis, somos profetas
Somos sábios e poetas ...'

09 setembro 2009

(...)

"Ev'ry Time We Say Goodbye I die a little..."

Despertou. Foi até a janela e viu o sol brilhando. Um dia lindo de primavera. Sua vista era perfeita: de um lado a avenida beira-mar, do outro um grande manguezal. As pessoas andando e fazendo seus exercícios matinais. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Abriu a porta. Foi até a sala e o viu ainda dormindo no sofá. O homem da sua vida. Por um momento perdeu a noção do tempo: de um lado as malas prontas, do outro as passagens. O relógio girando e contando o tempo sem parar. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera. Verão. Outono. Inverno.

Despertou novamente. Encontrou-o olhando para sí. O homem da sua vida. Eles não conseguiram sorrir. Por um lado tinham plena convicção de que ainda se queriam muito, por outro sabiam que a relação não aguentaria as pressões que existiriam. O mundo. As estações.

Abriu a porta do banheiro. Não conseguia falar, nem pensar... nada. Apoiou-se sobre a pia e não conseguiu abrir a torneira. E então, fez a única coisa que havia prometido que não ia fazer: Chorou. Compulsivamente. Sem parar. Como uma tempestade de verão. Em plena primavera.

"...when you're near there's such an air of spring about it..."

Olhou-se no espelho. Falhara novamente. Havia prometido não cair mais nas mesmas armadilhas. Havia prometido deixar o mundo andar sozinho e não se envolver nestas coisas de relacionamento. Mas, a presença dele aquecia e o inverno passado havia sido muito frio. Ouviu batidas na porta. Não teve coragem de responder. Abriu rapidamente a ducha e meteu-se embaixo da água. Queria que todas as estações fossem levadas. Queria que o tempo passasse como num filme. Queria não sofrer, novamente. Queria que o mundo rodasse, rapidamente. Queria. Queria. Queria, muito.

Despertou. A pele murcha indicava quanto tempo havia ficado ali. Por um momento havia perdido a noção do tempo. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Abriu a porta. Encontrou a sala vazia. De um lado o sofá, do outro a sala às escuras. Tentou entender o que acontecia. Um silêncio sepulcral. Lá fora, uma chuva fina, típica do outono. As pessoas com roupas pesadas e guarda-chuvas andavam rapidamente buscando o abrigo de suas casas. Outra vez o mundo. Outra vez o outono.

"...but how strange the change from major to minor..."

(...)




'Começo a olhar as coisas como quem, se despedindo, se surpreende com a singularidade que cada coisa tem de ser e estar. Um beija-flor no entardecer desta montanha a meio metro de mim, tão íntimo, essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices, a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas quanto mais habito a noite! Nada mais é gratuito, tudo é ritual. Começo a amar as coisas com o desprendimento que só têm os que amando tudo o que perderam já não mentem.'

05 setembro 2009

(...)

Metade de mim quer voar,
a outra metade não sabe que possui asas...
Verdades se perdem, sentimentos se confudem, certezas são vagas...
Dentro de mim tem um outro eu,
é esta dualidade que me preocupa.


Metade de mim quer partir, a outra metade insiste em ficar...

12 agosto 2009

Um dia assistindo vale á pena ver de novo...

Sentada na frente da televisão assistindo os mesmos programas, mesmas novelas, mesmos jogos e mesmas celebridades frescas que só olham pro próprio rabo, ouvi alguém batendo no cadeado do portão. Levantei com aquele ar de:
- 'Que desgraça. Quando eu começo á gostar da novela, vem um diabo me chamar na porta!'.

E fui em direção ao portão bufando um ar de estresse e pensando:
- 'Que porra. Se a novela fosse filme dava pra dar pausa!'.

Chegando no portão, vi um menino de mais ou menos 14 anos em cima de uma bicicleta me perguntando:
- 'Tia, você tem algum trabalho pra mim? Que possa me pagar 10 reais? Eu estou juntando dinheiro para dar um butijão de gás pra minha mãe de presente!'.

Confesso que fiquei sem reação. Quem no século vinte colocaria pra dentro de sua própria casa um menino que nunca viu na vida? Sem saber se era um assaltante, um assassino, sequestrador, se ele guarda uma arma ou uma faca debaixo da blusa. Calmamente eu disse:
- Ô, meu querido! Meu quintal tá limpo, a louça tá lavada, meu quarto arrumei ontem e meu jardim já foi poldado essa semana. Infelizmente não tenho nada pra mandar você fazer!

O menino abaixou a cabeça e disse que não sabe mais onde procurar serviço. Que já foi na igreja pedir á Deus que coloque alguém em seu caminho para que de alguma forma sua vida podesse melhorar, mas que mesmo pedindo em oração ainda não conseguiu os 10 reais. Tirou o dinheiro que tinha no bolso e me mostrou como quem mostra um troféu e disse:
- Olha o que eu já consegui. O cara lá da rua disse que me fazia um butijão por 70 reais. Só tenho 60 e nos outros lugares custa 110.

Eu fiquei sem reação. Me passaram tantas coisas pela cabeça. A primeira delas foi que em minha casa têm três butijões e eu reclamo com minha mãe porque não como carne de boi e no dia ela não fez frango. Lembrei dos anos que estudei em colégios particulares, da educação que tive, da rua que eu moro e do amor que dou á minha família.
Pedi para o menino voltar mais tarde. Ele voltou. Só que quando ele voltou eu estava estressada com meu pai e deu um chega pra lá nele. Deixei ele conversando com meu pai na porta e fui pra meu quarto dormi. Nunca mais ele apareceu aqui na porta de casa.
Fiquei como coração partido e quando coloquei a cabeça no travesseiro pensei numa mensagem que me mandaram certa vez: Deus ás vezes se veste de mendigo pra ver quem ajuda. Alguma coisa desse tipo. Eu só espero que Deus tenha piedade de mim e veja que eu não fiz por mal.

09 agosto 2009

Quis pra minha vida, todo o tempo esperei...

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(...)
BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios.

06 agosto 2009

E no meio de tanta gente eu encontrei você...


Procurando motivos para não querer mais que sonhar me deparo com qualidades e incentivos que so me dizem para seguir. Não acho respostas para 90% das perguntas que faço para mim mesma não que eu seja vazia, mas por ter várias alternativas como um poço de sugestões de como ser, agir, querer... Crio ilusões, desfaço planos, dou a volta no mundo e paro em você. Paro e me sinto sem ar como se esse amor tomasse conta de meus pulmões apertando-os como a saudade aperta o meu coração. Loucura, ódio, terror... Nada disso! Só o amor que chegou em minha vida e encontrou nela um abrigo aconchegante, capaz de fazer o frio extinguir e a angústia transformar-se em vontade de chegar mais perto e poder tocar. Tocar não só o emocional como o físico.

Parece difícil quando o mundo dá idéias de quem duvida e sua fé vai se quebrando, virando grãos e logo após o pó. Os barrancos dos quais despenquei não deixaram meu corpo e alma fracos. Muito ao contrário. Deixaram-nos tão fortes que hoje sou capaz de usar meus superpoderes. Um deles é apontar o dedo e fazer as estrelas se moverem desenhando a letra 'B'. Com todos o brilho que elas possam demonstrar. Com esse fato minha fé se renova me fazendo acreditar em um amanhã sem chuva. E se for chuva, que sirva para apagar o fogo do toque.

Se ele quiser eu faço parar, ou mando chover mais. Faço o que for sempre, sempre e sempre. Amá-lo não é um favor que eu o faço e sim um serviço que eu presto em benefício á mim mesma sendo que os custos, ganhos e perdas me fazem sentir mais leve. Se ele ao menos soubesse que meu coração despara quando vejo a plaquinha do msn subindo, ou quando sinto o celular vibrando com uma mensagem dele, se ele soubesse que eu me sinto feliz em saber que ele está feliz, que eu cresço de uma simples menina pra uma gigantesca mulher quando ele me faz descobrir coisas que eu jamais teria descoberto sem um empurrãozinho dele, que mesmo distante minha cabeça viaja quilômetros em busca de soluções para nossos problemas que no fundo são fáceis de resolver...

Se ele soubesse também que até o último fio de cabelo de meu corpo é dele e de mais ninguém, que são dele as horas que eu passo na cama olhando para o forro e conversando com as estrelas, que são dele também meu sorriso, minha alma, meu coração, minhas dúvidas, meus deslizes, meus obstáculos e principalmente minhas vitórias. É dele a lágrima que corre no meu rosto de saudade e que eu tento esconder e não consigo. É dele o motivo de me vestir assim ou assado, de fazer isso ou aquilo, de beber, comer, VIVER. Eu sei que ele vai ler esse texto e ainda assim duvidará de alguns pontos e vírgulas, mas o que conta sempre é a vontade de tocá-lo e fazer uma conversa em trio. Eu ele e as estrelas.

05 agosto 2009

As estrelas brilham sem saber... ♪

Sentei na cama e esperei as idéias virem em minha mente como quem espera pela chegada de quem um dia sonhamos em ter nos braços. Só imaginação? Não! Vontade de querer. Para muitos, só saudade! Para mim, mais que um simples beijinho no canto da boca que deixa muita gente sonhando a noite toda acordada, ou então esquece dentro do baú e se comportam como se fosse apenas mais um beijo. Foi como se o chão se abrisse e o céu ficasse mais próximo me fazendo pegar nas estrelas e melar minha mão com aquele incrível brilho. Estrelas não falam... Estrelas indicam. Indicam amor, paz, caminhos, fronteiras. Indicam principalmente a falta de limites que alguns insistem em chamar de rebeldia. Aquela vontade de querer fazer o que o mundo diz 'não faça' por causa de um ou dois argumentos. Estrelas indicam o infinito. Infinito do que muitos dizem ter fim. O amor tem fim? Não, o amor não tem fim não! Como pode ter fim uma coisa que se iguala ás estrelas? Logo aqueles pontinhos brilhantes que vimos quase todos os dias no céu beirando ás 6 da tarde? Não podemos dizer que esses pontinhos se apagaram só porque o céu está nublado. E é isso o que faz de parte da humanidade viver com argumentos. Acreditar na opinião de outro coração e não do seu. Voltando ao assunto 'amor', ele não acaba como as estrelas não acabam. O amor não tem limites como as estrelas também não têm. O amor não tem tamanho, cor, e principalmente distância. Ninguém deixa de adimirar as estrelas só porque não podemos toca-las, verdade? Perguntamos ás pessoas o que fazer quando nem essas pessoas sabem o que elas fazem da própria vida. E mesmo assim elas insistem em dar o conselho que nós ficamos dando voltas em pensamentos sem saber se seguimos ou não. A resposta para todas as perguntas acima está dentro de uma pessoa que não é igual nem pode ser substituida por ninguém no mundo: VOCÊ. Voltando ás estrelas, nessa noite o céu estava nublado, mas do mesmo jeito eu não deixo de lembrar da existência das mesmas.

26 julho 2009






Cores.

Eu e ele.

Tenho aprendido tantas coisas nos últimos tempos. A primeira delas: os dias passam mais rápido e eu vou percebendo o quanto eu sou inocente diante de pessoas, palavras ou fatos. Queria agir como uma heroína diante de diversas situações em que eu saio como a 'ovelha negra'. Não sei como falar, agir, me comportar. Saber mentir, camuflar, me tirar do bolo, é muito mais difícil do que eu imaginava. A segunda delas: a saudade não é só uma dor emocional como também física. Nas últimas horas tenho sentido como se uma faca de cozinha apunhalasse meu coração partindo não só artérias e músculos como também sentimentos! É mais forte do que eu querer pensar quando eu não deveria lembrar de certos momentos e gestos de carinho sem desigualdades. No último dia que nos vimos foi como o sol nascendo e iluminando/esquentando quem não tem onde passar o frio. Sonhar já faz parte de meu vocabulário há anos e não tem mais como conjugar o verbo sem a pessoa, não é verdade? Eu e ele sempre. Nós, vós e eles não pronuncio. Eu e ele basta como goiabada com requeijão, sol e mar, o lindo e o feio, o branco e o preto, o normal e o perplexo, o ontem, o hoje, o amanhã. Eu não sei o que eu sou se não saber o que ele é. Primeiro eu penso nele e depois em mim. Faço coisas que jamais teria feito se não pensasse na existência dele. Sobre a inocência, também posso dizer que sou inocente ás frases de amor, ás mensagens, ás mil e uma palavras de amor que se entram em meu coração insistem em não sair. Quem vai dizer que é certo ou errado quando o errado pra mim é o certo e o certo pra mim sempre vai ser certo? Verdade ou mentira? EU ME RENDO! Pelo o que eu vejo, ouço, sinto, se o que ele diz não ter possibilidades de ser verdade, garanto que essas mentiras sejam bastante covenientes em me fazer acreditar á cada minuto que tudo tem uma solução. Inclusive eu e ele. Não tem como saber e não passam de palpites sob as minhas mãos. Seguimos em frente e apontamos pra Fé então...

15 julho 2009

- ∞

Ser ou não ser? Eis α questão.Será mαis nobre sofrer nα αlmα pedrαdαs e flexαdαs do destino feroz ou pegαr em αrmαs contrα o mαr de αngústiαs e combαter ou dαr-lhes o fim? Morrer, dormir, só isso... E com o sono dizem extinguir dores do corαção e αs mil mαzelαs nαturαis á que α cαrne é sujeitα. Eis umα consumαção αrdentemente desejável: Morrer, dormir. Dormir, tαlvez sonhαr. Aí está o problemα: Os sonhos que virão no sono dα morte quαndo tivermos escαpαdo αo tumulto dα vidα nos obrigαm α exitαr. E é essα α reflexão que dá á desventurα umα vidα tão longα. Pois quem suportαriα o αssúdio e os insultos do mundo? Afronto do pelouro, desdém do orgulhoso, αs pontαdαs do αmor humilhαdo, αs delongαs dα lei, α prepotênciα do governαnte e o αchincαlhe que o homem pαciente e dedicαdo recebe dos inúteis podendo ele próprio encontrαr seu repouso com um simples punhαl. Quem αguentαriα fαrdo, gemendo e suαndo numα vidα servil por senão temer αlgumα coisα após α morte? O pαís não descoberto de onde jαmαis voltou nenhum viαjαnte? Se confunde α vontαde: Nos fαz preferir e suportαr os mαles que já temos á fugirmos pαrα outros que desconhecemos. Assim α reflexão fαz todos nós covαrdes. Assim α forçα nαturαl de umα decisão se trαnsformα em fétido pensαmento e empreitαdαs de vigor e corαgem refletidαs demαis sαem de seu cαminho e perdem o nome de αção. Mαis devαgαr αgorα, belα Oféliα, ninfα. Em tuαs orαções sejαm lembrαdos todos os meus pecαdos.

''E quem disse αmor, que quebrαr vidrαçαs e não ter certezα de mαis nαdα não αquece o peito? Outrα bebidα então.'

03 julho 2009



'Hoje eu αcordei mαis cedo e fiquei te olhαndo dormir! Imαginei um tão suposto medo, pαrα que logo podesse te cobrir.Tenho cuidαdo de você todo esse tempo; Em você está todo o meu αbrαço, minhα proteção. Tenho visto você errαr e crescer, αmαr e voαr... Você sαbe αonde pousαr! Ao αcordαr já terei pαrtido: ficαrei de longe escondido, mαs sempre perto, decerto, como se eu fosse humαno, vivo, vivendo prα te cuidαr, te proteger sem você me ver. Sem sαber quem eu sou: se sou αnjo ou se sou seu αmor...'